I have nothing to do. I have nothing to say (J. Thunders/Born to lose)
Sábado, Fevereiro 28, 2004
Eu tenho dois exemplares do livro "Pergunte ao Pó", do John Fante. Um deles é só meu. O outro, comprei num sebo de Ubatuba há alguns anos para emprestar. É fetichismo, eu sei. Mas o caso é que eu não conseguiria dormir direito com a possibilidade do livro não voltar às minhas mãos. Afinal, não é uma edição comum. É aquela antiga, da Brasiliense, traduzida pelo Leminski.
Eu li "Pergunte ao Pó" pela primeira vez quando tinha uns 18 anos. Desde então, estou sempre relendo uns pedaços. É ele que me salva quando bebo um monte, dou vexame e fico com aquela vontade insuportável de jamais ter existido. Me maldizendo por ser tão inconseqüente, impulsiva, faladeira e ...... maternal. Sim, maternal. Os amigos que me conhecem pessoalmente e já me viram bêbada sabem o que quero dizer (por favor, manifestem-se!!!). Eu fico quase insuportável (tá bom, eu fico insuportável). E depois, me consolo com Arturo Bandini . Que é lindo porque materializa, com graça, um monte de situações exageradamente ridículas.
Eu, que também sou ridícula, já quis casar com o Arturo Bandini. Só pra livrar o pobre das mãos da tal Camila e de outras que teimam em magoar o coração do meu anti-herói preferido. Ele é insuportavelmente romântico, mas ao mesmo tempo cruel. E impulsivo. Igual ao Johnny Thunders (com que eu também queria casar).
......
Esse post seria sobre a noite de quinta-feira e como eu consegui me controlar para não ser incrivelmente ridícula após tomar umas cervejas. E sobre como o show do Cenobites foi legal e como eu fiquei com saudade da Maíra. Não só porque ela é minha amiga mais psychobilly. Mas também porque hoje, aqui em Londrina, tem um monte de versões genéricas dela. Todas de cabelo preto, franja reta, roupas de vinil e botas de salto. Que aparecem em todos os shows. A diferença é que elas não são vanguarda. E minha amiga é.
postado por: Carol 7:06 PM
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Quarta-feira, Fevereiro 18, 2004
A empregada tá de férias. Eu, claro, não dei conta do serviço e resolvi chamar uma faxineira. Perguntei pra empregada da vizinha, que indicou a filha da sua comadre. No dia combinado, a moça chega e me olha com admiração. "Deve ser porque a outra me acha legal", pensei. Mas não era. No dia seguinte, a empregada da vizinha vem me contar, toda animada, que a moça já me conhecia faz tempo. "Ela falou que você tocava numa banda de rock. Você tinha uma banda de rock?". Achei o máximo ser reconhecida pela faxineira. Quase como uma rock star! E fiquei com saudade do tempo em que tinha quase fãs, hohoho. Aliás, faz tempo que tenho certeza que nasci para ser uma rock star ou qualquer outro tipo de celebridade do gênero. Mas vendi meu baixo e ainda não consegui comprar uma guitarra. O que será que deu errado?
postado por: Carol 5:01 PM
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Terça-feira, Fevereiro 17, 2004
[12.2.04 7:22 PM | CAROL FARIA]
Tô eu e Ceci na loja do papai esperando ele voltar sei lá de onde. A loja tá fechada. Eu pego uma cerveja e começo a navegar na internet. Ela começa a mexer nos cds. Enquanto olha as capas, repete: esse é papai, esse é mamãe (uma pinup, uh,uh!!), esse é "Idigo (Rodrigo)". Pra ela, qualquer pessoa que toque baixo ou guitarra é o "Idigo". A maioria dos meus leitores não conhece o Rodrigo. É o vocalista da Cherry Bomb. Um cara meio outsider. Que encanta todas as meninas. É impressionante como ele cativa qualquer ser humano do sexo feminino. Veja o caso da Cecília. Ela só tem um ano e oito meses. Mas chama o Rodrigo de um jeito todo derretido. Tipo assim: "Idiiiigo". E o cara esnoba a pobre bebê!!!! Pode? Um dia, na casa do Valquir, a Cecília só queria colar adesivos na perna do "Idigo". A perna dos outros não servia. O Valquir resumiu bem a ocasião. "Aí, Cecília, ganhou o prêmio ' passe uma tarde com o Rodrigo' . Realizou o sonho de muitas garotas, hehehe". Ela, claro, não entendeu a piada.
....
Ainda na loja, a criança me pediu água e aprendeu uma coisa muito importante: beber água no bico da garrafa. Aqui tem água mas não tem copo. Por isso, chamei ela de lado e disse: "hoje você vai aprender a beber água no bico da garrafa plástica. Lá em casa pode, hehehe". Ela adorou.
....
Eu não tinha mais idéias para distrair Ceci. Aí comecei a cortar pedaços de durex para ela colar na mesa. O bebê vira pra mim e pede: "mãe, da mais papel de plástico?!" Minha filha é ou não é uma fofura?
postado por: Carol 2:46 PM
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Quinta-feira, Fevereiro 12, 2004
Tô eu e Ceci na loja do papai esperando ele voltar sei lá de onde. A loja tá fechada. Eu pego uma cerveja e começo a navegar na internet. Ela começa a mexer nos cds. Enquanto olha as capas, repete: esse é papai, esse é mamãe (uma pinup, uh,uh!!), esse é "Idigo (Rodrigo)". Pra ela, qualquer pessoa que toque baixo ou guitarra é o "Idigo". A maioria dos meus leitores não conhece o Rodrigo. É o vocalista da Cherry Bomb. Um cara meio outsider. Que encanta todas as meninas. É impressionante como ele cativa qualquer ser humano do sexo feminino. Veja o caso da Cecília. Ela só tem um ano e oito meses. Mas chama o Rodrigo de um jeito todo derretido. Tipo assim: "Idiiiigo". E o cara esnoba a pobre bebê!!!! Pode? Um dia, na casa do Valquir, a Cecília só queria colar adesivos na perna do "Idigo". A perna dos outros não servia. O Valquir resumiu bem a ocasião. "Aí, Cecília, ganhou o prêmio ' passe uma tarde com o Rodrigo' . Realizou o sonho de muitas garotas, hehehe". Ela, claro, não entendeu a piada.
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Ainda na loja, a criança me pediu água e aprendeu uma coisa muito importante: beber água no bico da garrafa. Aqui tem água mas não tem copo. Por isso, chamei ela de lado e disse: "hoje você vai aprender a beber água no bico da garrafa plástica. Lá em casa pode, hehehe". Ela adorou.
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Eu não tinha mais idéias para distrair Ceci. Aí comecei a cortar pedaços de durex para ela colar na mesa. O bebê vira pra mim e pede: "mãe, da mais papel de plástico?!" Minha filha é ou não é uma fofura?
postado por: Carol 7:22 PM
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Domingo, Fevereiro 08, 2004
Durante mais de sete anos, viajei de ônibus entre Prudente e Londrina. E, desde a primeira vez, logo depois que passei no vestibular, fiz todo o trajeto usando meu walkman. Com fitinhas gravadas especialmente para a ocasião. Três fitas inteiras, mais metade da última fita e pronto: chegava ao meu destino. A música tinha a função de me distrair. O objetivo principal, entretanto, era me proteger dos inconvenientes companheiros de viagem. Crianças birrentas, mães gritonas, velhinhas faladeiras e rapazes mal educados, entre outros exemplos de pessoas que me incomodavam profundamente. O walkman não impedia que eu sentisse o cheiro horrível de chips que se espalhava por todo ônibus. Tampouco evitava que eu topasse com latinhas de refrigerante que rolavam pelo chão. Mas impedia que eu ouvisse o choro ardido por causa da única figurinha do pacote de salgadinhos. E sinalizava aos chatos que era melhor não se aproximarem.
O tempo passou, comprei um carro e deixei de utilizar a linha Araçatuba/Londrina com parada em Prudente. Semana passada, depois de uns dias na casa dos meus pais, voltei a usar o ônibus. Acompanhada da Cecília. E, para surpresa daquela estudante de jornalismo arrogante que um dia morou dentro de mim, vivi meu dia de verdadeira mala do ônibus. Graças à ajuda da malinha kid, que, por sinal, protagonizou os melhores momentos da nossa empreitada.
O terror começou na rodoviária. Enquanto Ceci urrava no meu colo porque ficou com "medo do ônibus", eu, totalmente sem noção, tentava convencer a cobradora a me deixar embarcar com "uma menor sem certidão de nascimento". Depois de apresentar milhões de documentos, consegui embarcar. Ceci, que não é boba, percebeu que iria embora da casa dos avós. E voltou a se esgoelar, pedindo o "colinho do nono". O nono, tentando ajudar, entrou no ônibus e pegou a neta no colo. Impedindo a passagem de todo mundo que ainda não tinha embarcado... Nessa hora, muitos passageiros começam a se entreolhar com aquela cara de que "a viagem vai ser um inferno". Eu, impassível, mantive minha cara de paisagem.
Depois de muita conversa, Cecília se convenceu a vir pro meu colo. Demos tchau pela janela, cantamos várias musiquinhas, contei história e ela finalmente parou de soluçar. Passado um tempo, reclamou de fome. Vitoriosa, abri minha mala de lanche (argh!!! eu fiz uma mala de lanche) e saquei um delicioso pão de queijo. Cheirando a polvilho. Cujo odor impregnou toda nossa ala. Ofereci suco e ela finalmente dormiu.
Com minha filha em meus braços fiquei pensando que o tempo passa para que a gente morda a língua e experimente o próprio veneno. E que a maternidade realmente muda alguns de nossos paradigmas mais enraizados. Aquela menina grandinha no fundo do ônibus, por exemplo, que cantava "Atirei o pau no gato" animadamente enquanto comia uma maçã teria me incomodado sobremaneira há alguns anos atrás. Diante da performance da Ceci, porém, me pareceu extremamente civilizada.
postado por: Carol 4:16 PM
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