life is life

I have nothing to do. I have nothing to say (J. Thunders/Born to lose)



Sábado, Março 27, 2004

No plantão do final de semana, o horror tem nome e sobrenome. Quando abro a pauta e vejo as palavras "ronda regional" embaixo do nome "Carol", sinto um misto de desespero e desgosto. Ronda regional significa ligar em 108 lugares (delegacias, postos policiais, bombeiros) para fazer a mesma pergunta. "Bom dia, é a Carolina do jornal tal, como está o plantão, alguma ocorrência grave?" E esperar ansiosamente que o interlocutor responda "não, Carolina, hoje está tudo tranquilo". Para então fazer a pior pergunta: "e a noite, foi tranquila também?"
O problema é que a noite NUNCA é tranquila. Por isso, tenho que encarar a árdua tarefa de selecionar os assuntos que rendem matéria. Apreensão de drogas serve, acidentes sem vítimas fatais, não. Homicídio rende pauta, recuperação de carros roubados, não. No fim do dia, fica aquela sensação estranha. Uns morreram, outros foram presos, eu junto todas as histórias num pequeno texto que será publicado no pé da página. Sem grandes reflexões. No dia seguinte, a mesma notícia aparece no jornal com nomes e endereços diferentes. Os dias passam, a rotina se repete até que chega outro plantão e a minha vez de fazer a ronda. E eu, mais uma vez com desgosto e desespero, faço tudo do mesmo jeito.

postado por: Carol 12:54 PM



Visit My Guestbook

Segunda-feira, Março 22, 2004

Eu já fique cinco dias sem tomar banho, já dormi em squats podres, já frequentei os banheiros mais inabitáveis do mundo, já fiz matéria em lixão usando sandálias, já cobri rebelião e tive que desviar da merda dos presos pra falar com o delegado. Sem falar no dia em que, grávida, fui fazer matéria numa granja de suínos, passei mal com o cheiro e vomitei em cima de uma bosta de vaca (o lugar menos fedido que encontrei). E terminei o dia vendo o parto de uma porca.
Meu currículo escatológico é bastante vasto. Mesmo assim, em minha vida adulta, nunca tinha sido contaminada por doenças escrotas como micose, sarna, verme ou seborréia. Até a semana passada, quando Ceci chegou da escola cheia de piolhos. E passou pra mim. Argh!!!! Eu fiquei dois dias com os bichinhos andando e se reproduzindo na minha cabeça.Que nojo! Passei veneno, fiquei com dor de cabeça 48 horas mas eliminei a praga. E aprendi outra lição da maternidade: o perigo, amigos, mora nas cabeças mais inocentes.

postado por: Carol 7:20 PM



Visit My Guestbook

Sábado, Março 13, 2004

Comenando o post abaixo: gracinhas da Ceci, aqui, significam que eu realmente não tenho mais nada pra dizer....

postado por: Carol 12:46 PM



Visit My Guestbook

"Cecília, rock'n'roll rules!!!!!!", grita a mãe, ouvindo punk rock enquanto passa pano na milésima poça de xixi. "Okirrol, okiroll", grita Cecília, pulando desvairadamente em cima da cama. "That's my girl", orgulha-se a mãe, que começa a influenciar o gosto musical da criança que adora dançar ao som de Blondie na frente do espelho!!!

postado por: Carol 12:44 PM



Visit My Guestbook

Sábado, Março 06, 2004

Ceci inventou uma nova dinâmica para o sistema capitalista... Hoje, disse pra mim que ia "compá dinheio" . "O quê? Cê vai comprar dinheiro, filha?", indaguei, abismada. E ela: "vô". Perguntei, então, o que o cisco de gente faria com o dinheiro "compado". "Vô compá doce e giz (de cera)". Só pra saber até onde ia a imaginação dela, perguntei onde é que a gente compra dinheiro. E Ceci, com absoluta certeza, afirmou: "Na padaia (padaria), mãe."

postado por: Carol 9:38 AM



Visit My Guestbook


arquivo


Livro de visitas