life is life

I have nothing to do. I have nothing to say (J. Thunders/Born to lose)



Domingo, Junho 27, 2004

E onde está o Brasil?
Tá na América do Suco!!!

(Cecília, cantando Palavra Cantada)

postado por: Carol 9:58 PM



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Sábado, Junho 26, 2004

Foi estranho voltar à Rua Escócia, 11 horas da manhã, à procura de uma loja de fábrica de roupas infantis. Lembra, Maíra, quando você morava lá? Lembra de uma confecção de artigos de criança que tinha em frente ao prédio? Eu não lembrava... Na época, quem ia imaginar que eu voltaria àquela quadra pra comprar esse tipo de coisa? Engraçado ver a rua, o prédio, os pontos de ônibus (a gente só andava de ônibus) e até a padaria... totalmente sã. Lembra que as moças da padaria tinham um certo "medo" de mim? Cara, deu muita saudade do tempo em que eu era só uma garota inconsequente querendo curtir a vida adoidado. Não foi nada melancólico. Foi um sentimento bom. Sentimento de certeza por ter aproveitado ao máximo as chances que eu tive de fazer só o que queria, sem me preocupar com as consequências. Nem todo mundo tem oportunidade (ou vontade) de viver assim. Mas eu tive (e quis). Hoje, posso dizer de boca cheia que já me diverti muito. E que foi muito bom. Ou não foi?

postado por: Carol 9:31 AM



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Terça-feira, Junho 22, 2004

Minha avó está passando uns dias com a gente. Hoje, no shopping, ela fugiu de mim e comprou um assento novo pra minha privada. Daqueles almofodados (!!!). Eu e o Cibié ficamos muito gratos. Esse é o tipo de coisa que a gente NUNCA lembra de resolver. Apesar da minha satisfação, não deixei de ficar intrigada: como é que duas pessoas normais passam anos usando um assento ruim apenas por preguiça de comprar outro? Sem dúvida, atitudes como a nossa explicam muitos casos de prisão de ventre...

postado por: Carol 10:57 PM



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Sábado, Junho 19, 2004

Extra! Extra! Conheçam a Ceci!!!

postado por: Carol 12:43 PM



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Quinta-feira, Junho 17, 2004

O mundo está cheio de pessoas bem intencionadas. É verdade! Olha só. Esses dias, eu precisava mandar um documento pro meu irmão em outra cidade. Como nós dois estávamos no interior, o sedex demoraria dois dias. Minha mãe teve a idéia: põe no ônibus!!! O Cibié foi à rodoviária no horário da linha Londrina/Prudente, escolheu um moço e pediu pra ele levar o envelope. Três horas depois, o desconhecido entregou o envelope pr meu irmão na rodoviária de Prudente. Ontem, aconteceu de novo. Eu precisava do inalador que estava na casa da minha mãe. Ninguém podia trazer. Ela foi à rodoviária e pediu a uma moça (Mônica) que trouxesse o aparelho até Londrina. Dez horas da noite, a moça me entregou o pacote embrulhadinho, em uma sacola, como minha mãe tinha mandado.
Entrei no carro maravilhada com a boa vontade desses desconhecidos. Absorta em meu deslumbre, me descuidei e bati no veículo de trás. Desci, toda preocupada, e dei meu telefone para o motorista. Ele disse, educado: não se preocupe, minha filha, foi leve, não estragou nada! Sem escândalo, sem gritos e sem piti. Fiquei maravilhada. A caminho de casa, em plena Dez de Dezembro cheia de traficantes e prostitutas, dirigi meu carro calmamente, de janelas abertas. Perigoso? Talvez... Mas eu estava cheia de fé no ser humano.

postado por: Carol 8:58 AM



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Quinta-feira, Junho 10, 2004

Eu já sabia que as famílias dos comerciais de margarina não existem. Dias atrás, depois que a Ceci ganhou sua primeira maleta de pintura, descobri outra mentira sobre o mundo da propaganda: os comerciais de sabão em pó, aqueles em que as crianças entram sujas e saem limpas, também são uma tremenda farsa....

postado por: Carol 6:22 PM



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Terça-feira, Junho 08, 2004

Sabe aquela garota nem bonita, nem feia; nem gorda, nem magra; nem alta; nem baixa; que sentava três lugares atrás de você no colégio? Não lembra, né? Pois essa garota era eu. Durante muito tempo, concentrei minhas energias na tentativa de ser meio igual a todo mundo. Um pouco para ser aceita, outro tanto porque sabia que meu tempo naquela cidade seria mais fácil se eu ficasse incógnita. Minha única certeza é que eu iria embora de lá.
Não é fácil tentar ser igual quando você gosta de coisas esquisitas. Eu não curtia a danceteria badalada da cidade. Preferia o boteco dos góticos (onde meu pai ia me buscar às cinco horas da manhã, todos os sábados, sem reclamar). Não tinha muitos amigos na escola. Preferia a galera do meu bairro, que, ao contrário de mim, estudava em colégio público. Programa preferido? Se embebedar com vinho barato na pracinha da vizinhança. Ou nas festinhas da casa do menino que morava praticamente sozinho.
Minha melhor amiga era uma garota excluída, órfã de mãe, que tinha repetido de ano e acabou na mi nhá classe. Ela tinha um irmão junkie que costumava me emprestar discos e vídeos. A turma do garoto simpatizava comigo. Eu era a única menina boazinha do pedaço que não tentava salva-los das drogas. Uma vez, já em Londrina, hospedei o garoto na minha república e levei-o a um show do Sepultura. Foi a última vez que o vi. Algum tempo depois ele morreu de AIDS por ter compartilhado seringas.
Eu tinha uma energia reprimida que não conseguia colocar pra fora. Sonhava em me envolver com grandes causas, fazer loucuras, viver aventuras e namorar um cara idealista e louco que destoasse do padrão dos meus colegas de escola. Não consegui materializar esse anseios durante a adolescência. Enquanto vivi naquela cidade, continuei sendo a menina normal que tinha boas notas na escola, alguns poucos amigos, uma vida social mais ou menos e projetos para o futuro. Se você tivesse me conhecido naquela época, não conseguiria adivinhar meus sonhos.

postado por: Carol 9:51 AM



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